25.11.10

A VIA SACRA



Há dois mil e dez anos foi em Jerusalém.

Este ano, na noite de ontem, um acontecimento semelhante ocorreu e só se diferenciou temporalmente daquele, constituindo-se como uma alteração ao calendário actual – a Páscoa chegou antes do Natal. O país foi o mesmo - Israel.

No “calvário” de Tel Aviv, um outro Jesus, “O Jorge”, já suspenso na cruz e ao terceiro prego, vendo que estava a chegar a sua hora, exclamou:

- Benfica, perdoa-me! Estou arrependido (como o outro) e quero partir!

Mas como esta “partida” implica estùpidamente, segundo os mentideros, um milhão de contos de indemnização, espero ao menos que o homem “ressuscite” para a Liga Europa!

…E que “ressuscite” também os seus discípulos que tão depauperados e descrentes andam.

Os equívocos de Gelsenkirchen, de Lyon, da própria Luz na jornada anterior e mais uns quantos que nem quero mencionar, só vieram confirmar que discursos analfabéticos, precipitados e pouco estruturados - o jogo não era nenhuma finalíssima, mas sim um jogo que o Benfica teria de ganhar (mesmo com um empate, ainda haveria hipóteses) e que pelo dramatismo exagerado com que ele o pintou, acabou por desestabilizar acentuadamente os jogadores, acabando por pressioná-los desmedidamente, ao ponto disso se evidenciar nos discursos de Javí Garcia e de outros antes do desafio, ao longo da semana e no decurso do mesmo - tanto para dentro como para os media, associados a uma pungente incapacidade de criar, nos jogos fora, uma estrutura mental forte no grupo de trabalho que lidera, não se compadecem com a alta competição, e para mais a mais quando neste caso, o topo da competitividade é a Champions League.
A sua estratégia de comunicação tem falhado em toda da linha, bem ao nível da sua medíocre capacidade de comunicador.

Como complemento, mas só como complemento, a Lei de Murphy não se esqueceu de passar pelo Bloomfield Stadium, premiando aquele que mais contribuiu para ela. A “coisa” estava a correr mal, passou a correr ainda pior e chegou ao péssimo!

Um sonho desfeito em que a Chama Imensa que os Adeptos Benfiquistas tanto acalentam e acalentaram generosamente, incutindo sempre ânimo na equipa e perdoando até agora tudo a Jesus, acabou por esmorecer de uma forma tão pálida que quase se eclipsou totalmente na noite negra de Tel Aviv, no relvado do Bloomfield Stadium.

E para surpresa de muitos, têm sido os próprios adeptos a carregar a cruz. Aqui, ao contrário da História Bíblica, é o povo que tem perdoado a Jesus “O Jorge”, que pouco Cristo tem sido. Jesus escolheu quem quis, têm-lhe satisfeito os seus caprichos e para acabar com “jejuns” que o levassem a respirar ares corruptos, mas bem recheados de euros, exigiu e viu o seu salário anual disparar à fartazana para mais do dobro. Jesus, “O Jorge”, não é o Benfica, nem do Benfica. É única e simplesmente um funcionário seu, pago a peso de ouro, para rentabilizar parte dos seus activos.

Assacar responsabilidades por este clamoroso falhanço no apuramento para a fase das eliminatórias a uma equipa - é quase a mesma da do ano passado - sem alma, sem garra, sem talento, sem ambição, triste e apagada, bem à imagem do que Jesus, “O Jorge”, tem demonstrado desde o início desta época, é uma falácia. Quem lidera, quem orienta, quem conduz, quem escolhe, quem determina quem joga, quem engendra a táctica é que terá obrigatòriamente que responder por isso. As maiores responsabilidades são, sem qualquer dúvida, de Jesus, “O Jorge”, das quais não se poderá alijar, por mais que argumente e por mais que alguém argumente por ele. E argumentar como o fez, aquando da copiosa e chocante derrota na Trypalândia, sacudindo a água do capote e dizendo que ainda há muito para ganhar, não colhe.

No caso de ontem, trazer a decisão do apuramento para a Luz, na próxima jornada, proporcionaria um encaixe de mais oitocentos ou quatrocentos mil euros e uma receita brutal no jogo da Luz, com o Schalke 04.

Agora, trazer “três” dos israelitas do Hapoel, é vergonhoso, humilhante e inadmissível!
Assim, não!

Quando estes processos entram em fase quase contínua ou de uma forma frequente e degradante, é muito difícil revertê-los.
Mas aguardemos e tenhamos a tal “fé”, que no entanto, sinceramente, a partir do último terço da época passada, começou a ser cada vez menor, ou Liverpool não fosse paradigma disso mesmo.

Jesus, “O Jorge”, esgotou-se depressa, esbanjando um crédito precioso. Não soube doseá-lo, dando passos maiores que as suas pernas, abrindo mal e demasiadamente a boca – é pena que os responsáveis do Benfica não tenham tido a visão e a sensibilidade necessárias para se aperceberem disso quanto antes. O seu próprio modelo, seja na forma de 4-3-2-1, 4-4-2, 4-3-3, losango, trapézio, pentágono ou inovações como o x-y-v-g-k-w?!? no jogo da Pocilga, ou o que os Caros Companheiros lhe queiram chamar, parece-me quase, quase, esgotado para uma equipa e um clube como o Sport Lisboa e Benfica.

Por isso antevejo, mais tarde ou mais cedo, a vinda inevitável daquele que de verdadeira águia ao peito poderá tornar forte e consistente o reino riquíssimo de um rei fraco. Basta só tirar da cartola o Coelho certo.

Oxalá esteja enganado.

Até domingo, num qualquer lugar à “Beira-Mar” plantado!

GRÃO VASCO

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