8.6.11

Crónicas do defeso (I)

Um "demónio" no Vaticano


A Cúria Romana estava em polvorosa. Pelos intermináveis corredores do Vaticano um boato perturbador propagava-se à velocidade da luz e a apreensão não era para menos – dizia-se, em surdina, que havia um segundo papa e que estava prestes a chegar à Praça de S. Pedro, ainda a tempo de participar, e sabe-se lá mais o quê, na audiência papal semanal.

- Um segundo papa? – perguntavam muitos clérigos atónitos. Desde Avignon que não havia cismas na igreja católica e isso já tinha acontecido há muitos séculos, não havendo sequer razões para que isso acontecesse agora.

 - Ratz! Ratz! Ratz! Onde te meteste? – era o grito de desespero de monsenhores, bispos, arcebispos, freiras, frades e cardeais, que ecoava pelas naves da Basílica de S. Pedro até à fabulosa abóbada da Capela Sistina.
Para cúmulo dos cúmulos, e para alimentar mais ainda esse inquietante rumor, o verdadeiro sumo pontífice tinha desaparecido, sem deixar rasto!
O cardeal camerlengo, ao ser informado destas notícias, accionou imediatamente o alerta vermelho, dando ordens ao chefe do Corpo da Gendarmaria e ao comandante da Guarda Suíça Pontifícia para que efectuassem as diligências e respectivas buscas com o objectivo de saber o paradeiro do chefe da igreja. O seu telemóvel pessoal chamava mas não atendia, e sem qualquer outro tipo de contacto, admitiu-se ainda a hipótese de que o sucessor de Pedro, sabendo da presença de uma sinistra e incómoda figura, tivesse efectuado uma fuga estratégica para Castelgandolfo, sua residência de férias de verão, evitando assim incidentes desnecessários.

Por outro lado a secreta italiana já tinha informado os seus homólogos da Santa Sé da presença em Roma de um conhecido cadastrado civil e religioso do norte da Lusitânia, a quem os seus alienados prosélitos também apelidavam de papa e que comprava a sua impunidade civil através de juízes corruptos, loucos por bilhetes de futebol e por meninas de table dance, conseguindo também a nível religioso e sempre ajudado por clérigos fanáticos e oportunistas, uma bula, que o indultava de todas as diatribes, blasfémias e patifarias feitas ao longo de anos e anos, e de todo contrárias às leis e mandamentos da santa madre igreja.
Na verdade, Giorgio – um nome por si próprio imortalizado em bilhetinhos amorosos feitos de pequenos pedaços de papel ou em folhas de guardanapos de restaurantes e hotéis em Santiago de Compostela, aquando da sua vergonhosa e comprometedora fuga à polícia judicial do seu país e nos tempos em que chafurdava que nem um louco no monumental par de mamas de “Carol pistoleira”, a sua mais célebre amante – em mais uma arremetida sacrílega, dirigia-se a passos largos para a grande praça do Vaticano, acompanhado de uma novel amásia, um rebuçadinho oriundo de terras de Vera Cruz, sedenta de “conhecimento”, bênçãos e dinheiro de velhos ricos e carecas…
Como se já não bastasse ter enganado o antecessor de Ratz, fazendo passar a “pistoleira” da noite de todos os calores por sobrinha-afilhada, lá estava ele, em nova e hipócrita investida de falsa fé, tal qual um emplastro e ridículo devoto, tentando alcançar as filas da frente da audiência papal, com um belo biscatinho de substituição, neste caso disfarçada de netinha, suplicando bênçãos e absolvições, depois da completa macacada que foi a sua recente vivência e casamento com a sua ex-bi-mulher.

Os serviços secretos do Vaticano, através das câmaras de controlo instaladas em redor da praça já tinham localizado aquela parelha farisaica e preparavam-se a todo o momento para os interpelar.
Curiosamente, Giorgio, com aspecto simplório, surgia desta vez, sòmente acompanhado pela pressusposta netinha, transportando um pequeno cesto de vime, genuìnamente provinciano, sem aquele séquito de biltres e mafiosos azuis e broncos que em passado recente tinham fintado literalmente a corte papal e um outro santo padre. Ainda estava bem fresca, na mente dos agentes de segurança do papa e do seu protocolo, a farsa dessa reles e suspeita comitiva liderada por Giorgio, que outrora entregou farisaicamente, como oferendas ao sumo pontífice, a imagem da Santa e a bola corrupta de cautchú do Fruta Corrupção & Putêdo, vulgo fcp, com a amásia-sobrinha-afilhada em plano de destaque junto do otário do Freixo em solene beija-mão a sua santidade.

Alguma agitação com Luigi d’Áquila e seus subordinados a rodearem a dupla peregrina…
Solicitados os passaportes e os cartões de identificação e porque a suspeita era grande em relação ao cesto de vime, o chefe da Gendarmaria perguntou:
- Signore Giorgio, que leva no cesto?
- Nada de especial. São uns “presentinhos” para sua santidade…- respondeu um pouco encolhido Giorgio.
Após uma insistência mais incisiva, Giorgio foi convidado a abrir o cesto…
- Senhor agente, é marisco…marisco de Matosinhos, fru…fru…fruta da época e chocolatinhos… - exclamou o visitante com um sorriso amarelo.
E essa garrafa termos “bambina”, que contém? – insistiu o chefe da segurança.
- Café com leite – respondeu a “minina”.

Consta-se que o antepenúltimo papa morreu envenenado. Daí que a brigada que interpelou o suspeito se preparasse para apreender todo aquele material e encaminhasse a dupla de amantes para interrogatório.

Novamente agitação na multidão, mas desta vez para saudar o sumo pontífice que para espanto e surpresa geral vinha em passo tranquilo acompanhado de quatro elementos da Guarda Suíça e muito bem disposto.
Soube-se depois, que o momentâneo eclipse papal aconteceu, porque o pontífice, quando se preparava para se dirigir ao local da audiência semanal, foi acometido de um pequeno mas inoportuno desarranjo intestinal e que com a atrapalhação, tinha deixado cair o telemóvel na sanita e ficado fechado numa das casas-de-banho da Arquibasílica de São João de Latrão.
Um contratempo que só foi resolvido quando o sacristão do templo ouviu várias descargas de autoclismo e um berro de impaciência…

Naquela fila extensa, todos se esticavam para saudar o santo padre, para lhe tocar. Ratz, ao passar por Giorgio e vendo aquele aglomerado anormal com seguranças à sua volta, disse:
- Então és tu Giorgio, o alvo de tanta preocupação da Cúria e do camerlengo? Deixa-me sorrir um pouco, olhar para ti e para quem inocentemente te acompanha…Vou rezar por ambos, e depois disso, baza daqui para fora, volta a Contumil e devolve o material que trouxeste, à società Araújo & Garrido, SA, pois corrupção já aqui houve que chegasse!

As secretas estavam mais aliviadas quanto aos rumores infundados que havia um segundo papa na forja. O suspeito era realmente alcunhado de papa pela influência nefasta que tinha nos meandros do futebol do seu país. Um autêntico demónio azul e bronco dos condados nortenhos da Lusitânia que por um dia infernizou o estado mais pequeno do mundo e os seus governantes.
Mas era só isso…um reles corrupto papa…putas!
Após este caricato episódio foi convidado a visitar as catacumbas. Pena foi não ter ficado perdido naquele labirinto…

GRÃO VASCO

1 comentário:

Anónimo disse...

perfeito

benfiquista do coração

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