3.7.11

Luisão no Recreativo das Berlengas



No Verão de há três anos, na romaria de Vila Cova à Colhoeira – uma aldeia recôndita nos confins da serra, atrás de penedos e silvas, onde não há bufadelas ao balão nem trabalhos comunitários - encontrei Luisão, acompanhado pelo mordomo da festa, a beber um valente tintol e a comer uma bela bifana, correndo à boca cheia pela pasquinada disfarçada de banda musical que tocava no coreto, que o capitão do Benfica já tinha assinado pela União Desportiva da terra.

Há dois anos apanhei-o em viagem pelo interior da Beira Alta, no Sud-Express. Segundo os galgas dos pasquins sensacionalistas que se acotovelavam na carruagem de segunda classe, imediatamente a seguir àquela em que viajávamos e que iam no encalço do futebolista ligado ao Benfica, Luisão preparava-se para assinar um contrato à revelia do clube e ao abrigo da lei Bosman com o Internacional de Vilar das Mulas.

Em Julho do ano passado, cruzei-me novamente com Luisão no aeródromo Gonçalves Lobato que serve a minha cidade. Cumprimentámo-nos, aludindo à curiosa coincidência de nos vermos casualmente nas férias. O capitão do Benfica estava em trânsito para Lobelhe do Mato. Aguardava pelo helicóptero que o levaria ao seu destino. Segundo os petas habituais do “record da manha” e do “correio do record” que se encontravam no hall da aerogare camuflados de funcionários alfandegários, o Girafa ia assinar pelo Atlético de Lobelhe por três épocas com mais uma de opção, e com uma cláusula de rescisão na ordem dos quinquiliões de euros.

Qual não foi o meu espanto este fim-de-semana, quando vejo no cais de Peniche uma grande agitação em torno do Cabo Avelar Pessoa, a embarcação que liga a cidade à Ilha Berlenga.
Com escafandros do tempo das primeiras explorações marítimas de Jacques Cousteau, blocos e canetas em riste e à prova de água salgada, lá estavam novamente os petas e os galgas dos pasquins habituais, agachados e semisubmersos, junto à ré da embarcação, prontos para o que desse e viesse.
Esperavam a todo o momento pela chegada de Luisão, vindo expressamente da Copa América. Corria o boato que Luisão iria mais uma vez roer a corda ao Benfica e assinar por uma época, pelo Recreativo das Berlengas. Outros, armados em especialistas da pesca ao robalo, iam entrando de galochas, com canas de pesca e baldes para o interior do convés, na esperança de uma entrevista em cima do acontecimento, mesmo antes da chegada à ilha.
Mas o melhor estava para vir. Conforme mostra a foto, afinal Luisão apareceu mesmo. Equipado a rigor e ladeado por muitas das gaivotas que povoam a ilha, pousou suavemente à beira-mar, perto da embarcação, para surpresa de quem imaginava que viria acompanhado pelo seu empresário para as derradeiras negociações. E mais, regressava já da Berlenga, após ter participado num spot publicitário de promoção ao turismo da natureza desta belíssima e única reserva natural…

Depois dos pèzinhos de coentrada à madrilena e do sarrabulho da Falperra à moda da Maria Amélia, só faltava mesmo uma moqueca de Girafa paulista à brasileira.

A pasquinada que se vá mas é catar!

GRÃO VASCO

2 comentários:

Manuel disse...

Grande Grão Vasco. Muito bom! E muito engraçado!

Águia Eterna disse...

Caro GRÃO VASCO, simplesmente FABULOSO este teu ROMANCE.
Por mim ganharias o NOBEL da Literatura Desportiva de Verdade.
Quanto ao CATAR da pasquinada, aí eu sou mais piedoso e caridoso: Não quer que sofram muito a catar-se; quero é que MORRAM TODOS essses FDGP de anti-Benfiquistas primários.

BENFICA, SEMPREEEEEEEE.

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