10.5.12

Uma estória actual…



Em 25 de Agosto de 2008, quando nem sequer imaginava que um dia surgiria o “Pinceladas Gloriosas”, publiquei num blogue em que por convite fui um dos colaboradores durante algum tempo, um “sketch” sobre algumas criaturas que já andavam na crista da onda.

O mais incrível, é que elas continuam “a brilhar” com pequenas alterações no elenco.

Guillermo Cagaia foi substituído por Mandril Serrote e o papel de Dias Palito passou para Eduardo Maus-Fígados. O programa também apareceu com outro nome – esticou-se um pouco mais o “Dia Anterior” com um “prolongamento” noutra estação.

O título da estória é o mesmo e eu não resisti a contá-la novamente aqui.



Eu por cima, tu por baixo


Com Nandú Ceará & Judy Ransousa,
Guillermo Cagaia & Zeca Dias Palito


O programa “O Dia Anterior” tinha terminado com mais uma participação dos “paineleiros” mais conhecidos da nossa praça – Guillermo Cagaia, Nandú Ceará e Zeca Dias Palito.

Como sempre, Nandú foi novamente derrotado por 2 a 1. Apressadamente, arrumava as suas cábulas, com aquele sorriso de “galináceo cacarejante” e com as mãozinhas a “dar a dar”, convencido de que tinha feito uma obra extraordinária em prol do seu clube.

À saída dos estúdios, Zeca Dias Palito e Guillermo Cagaia, mais conhecido pelo “Vaselineiro da Cedofeita”, lá vinham, mais uma vez todos animados, de braço dado, com o Palito a dizer para o outro:
- Ó Cagaia, o “gajo” não tem emenda. Está farto de levar no “toutiço” e ainda se ri. É cada sessão de gozo, que os apaniguados do clube dele ainda devem estar a perguntar como é que é possível fazer-se aquela triste figurinha na TV.
- Tomara que no “Conselho dos Justiceiros” tivesse sido assim… – desabafou Cagaia, franzindo as sobrancelhas. E continuou, abanando a cabeça em sinal de derrota e frustração: 
- Depois de eu me ter esforçado tanto para aplicar a minha táctica mortífera e subterrânea, a “analfabeta” da Trinidad meteu a boca no trombone antes do tempo e foi o que se viu! O Caranguejola e Cia. não gostaram da “marosca” e viraram as agulhas para o outro lado, deixando o Tógonça Mascambilha e o Bosta Andrade pendurados, de mãos a abanar, mesmo com o indisposto Mentes Silva a servir de “rolha”, esse “sempre em pé”!

Dias Palito, com aquele ar rasca, meio a sério, meio a gozar, consolava-o:
- Olha, era resultado que nem me aquecia nem me arrefecia. Tanto me fazia. Mas que foi realmente uma grande fatalidade para esses teus dois amigos, especialmente para o Tógonça, foi!...Mas deixa lá, porque qualquer dia, ele também te fazia a folha.
Guillermo Cagaia estava sério e reforçando o que tinha dito, atirou:
- Fratelli! Capisci! Fratelli, Dias Palito!
- Ó Cagaia, deixa-te lá disso das “societàs”, porque isso é com os teus amigos de lá de cima. Aqui, só está combinada esta aliança pontual, e se te portas mal, já sabes, estás habilitado a levar logo, também, umas traulitadas da minha parte. Portanto juízinho! E mais, põe-te fino porque se não faço-te o que costumo fazer àqueles “vermelhos danados”, estrefego-te! – dizia Dias Palito arreganhando a barba.
- “Tá bem, tá bem caramba”! Escusas de estar já a “escamar-te todo”! Realmente é verdade, que ao menos, aqui contigo, o resultado combinado não falha. Não há cá mas, nem meio mas. Tumba! Damos-lhe logo em cima! Ele não é da terra do Viriato? Então que lhe vá pedir ajuda. Pode ser que se safe! – rematou o Cagaia, aparentemente vibrando com a proeza.

Despediram-se até à próxima semana com um aperto de mão à chefes de estado e com pose para a fotografia dos repórteres dos jornais “O Nojo” e “Reco”. Os de “A Borla” não apareceram; há que conter despesas pois as receitas com as vendas desceram. Uma opção é colocar o jornal nas bancas, de borla. A outra, vendê-lo à sociedade que detém “O Nojo”, pois é um jornal em que, como este, o número de andrades por metro quadrado é muito elevado e por isso torna-o muito apetitoso.

Bem, mas adiante, que se faz tarde.


Ceará não esperou por eles. Entrou no seu automóvel, ligou a ignição e pôs-se a andar. Na viagem para Cintra, sua terra por adopção, pensativo, reflectia sobre coisas da sua vida e dizia para os seus botões:
- Realmente as coisas não me têm corrido bem. Mas não posso dar parte de fraco. Tenho de permanecer “firme e hirto”, pois não há nada melhor do aqueles noventa minutinhos por semana. Tão ricos, tão riquinhos! Já pareço um jogador de “top” com prémios de jogo à maneira! A chatice toda é que aceito tantos cargos que depois é “um deus nos acuda”! Tive mesmo de me demitir de director do jornal “O Maior”, pois nem tempo tinha para escrever os editoriais e ir à redacção. Os leitores do jornal, perguntavam muitas vezes e com razão, se eu andava sempre a passear com a Judy pela “estranja”. Perguntavam mesmo se aquilo era só para o “penacho”. Bem, mas se aquilo nem sequer dava para o “petróleo”, o que é que queriam?

Estava quase a chegar a casa, já passava bem da meia-noite.
Preparava-se para mais uma “maratona” com a sua Judy, que no “apogeu dos quarenta” continuava com aquela performance dos seus tempos de debutante no jornalismo de televisão. E que performance!

Ela esperava-o ainda a pé, ocupada na elaboração do “questionário veneno” para a entrevista daí a dois dias com o “Barão Vermelho”.
Estava cansada de “puxar” pela sua cabecinha, pois o seu objectivo era poder desancar nessa famosa figura pública que a atormentava nos seus sonhos de “vivência fanàticamente andrade”. Vivência da qual não tinha pejo nenhum em exibir alguns flashs, à descarada, desde que se tratassem de adversários ou inimigos de Giorgio di Bufa.

Chegou a hora de dormir, mas a noite ainda era menina. Faltava o doping afrodisíaco para retemperar forças para os embates do dia seguinte e das grandes entrevistas.
Assim, já meio deitado na cama, sem óculos, repousando sobre as almofadas, com as mãos cruzadas atrás na nuca, enrolando os polegares um no outro, para trás e para a frente e olhando para o vazio do tecto enquanto a sua querida acabava de limar mais uma vez as unhas, Nandú perguntava:
- Ó Ju, que tal a minha prestação de hoje? Gostaste?
- Sim, gostei. Estiveste como sempre, nem bem, nem mal. Riste-te, mexeste bem as mãos, divagaste como de costume e pronto, foi o que eu vi e ouvi – disse ela desinteressadamente.
- Mas sabes qual é a minha sensação? – perguntou ele, apreensivo.
- Sensação? Ôh…lálá, querido, diz lá à tua Juju, diz… – respondeu ela com uma voz baixinha e doce, chegando-se de mansinho.
- É que voltei a perder por 2 a 1. O Dias Palito, aquele diabo, desempata sempre a favor do Cagaia – respondia Nandú, empinado.
E continuando, atirava, “afiando a dentuça” com um sorrizinho malandro:
- Mas uma coisa te digo já, ó Ju, hoje não quero perder mais nenhuma vez, ok, querida?

Ela, com o seu sex-appeal tentador, sorridente e pujante como sempre, emitiu um leve gemido, atirou com o estojo das unhas ao ar, deu duas voltas na cama e com um salto felino encaixou-se de tal forma nele, que parecia preparar-se para mais uma corrida de fundo no hipódromo de Ascot.
Ele, já prevendo o “furacão” que se avizinhava, começou a rir-se e quase “cacarejando”, disse:
 - Ó..., ó... Ju, não, não quero perder aquele tacho! E mais, filha, olha que eu sou mesmo muito macho!
E Judy, já em “pulgas” com o “pré-aquecimento” disse-lhe:
- Ai é, Nandú querido? Tá bem tá!…Mas já sabes o que eu acho!…Eu por cima, tu por baixo!

A luz, com tudo a rodar em “alta voltagem” apagou-se, com o par “engalfinhado” até à exaustão!
Por fim, Nandú Ceará adormeceu a sonhar que era um pássaro…

…talvez uma águia depenada num qualquer restautante de luxo, sei lá…


GRÃO VASCO

3 comentários:

Frank disse...

Fartei-me de rir com mais uma obra prima do GV mas essa do Cagaia ta mesmo a matar assenta-lhe tao bem eu achei tanta graca que ainda nao parei de rir,a do Nandu e a Judy ta demais ela por cima ele por baixo la se vai a meia duzia de cabelos que restam do nandu lolllllllllll parabens Grao pela tua excelente capacidade de criar historias tao engracadas que nos diverte obrigado.

Jotas disse...

deixei de ver esse tipo de programalha, porque nada me diz e muito menos nada acrescenta ao futebol e porque infelizmente quem representa o Benfica, faz por norma figura de urso.

Anónimo disse...

Mais uma obra geniel Amigo, para bom entendedor é bem observado, Essa ANTA do Ceará só envergonha os BEIRÔES.
Um abraço lampiãovis

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