28.10.16

Troféu de caça




Nunca me impressionou, nem nunca senti por ele aquele afecto clubístico, mesmo quando ganhou a medalha de ouro em Pequim, na final do triplo-salto. Algumas vezes me questionei sobre o seu entusiasmo, sobre a sua alma. Vermelha é que nunca foi. No entanto, o seu espaço, a sua progressão, as suas vitórias, alegrias e tristezas, viveu-as dentro do Benfica, sempre visto e tratado como um filho primogénito da casa. Renegou-a, tal como o filho pródigo, mas irreversivelmente sem retorno. Mostrou à saciedade a massa de que é feito. O dinheiro, o tal vil metal, falou mais alto e comprou-o. Uns meros vinténs, comparativamente com a glória perene e suprema de ser um ícone do Sport Lisboa e Benfica e poder ter uma recompensa de ouro durante toda a sua vida. Assim, será mais um dos vendidos que irá ficar na poeira do esquecimento do passado. Mas o mais curioso é que ele ainda não se apercebeu da forma como foi usado.

Não tivesse eu visionado aquelas imagens e não teria acreditado!
A cena, surreal, aconteceu – primeiro umas letras garrafais, com o nome do protagonista, sinónimas de complexos e traumas de um grémio de frustrados e resultantes dos seus falhanços sucessivos, mas que não dão títulos. Depois, dois patetas patologicamente obsessivo-compulsivos, com responsabilidades no grémio do lagartêdo a correrem, tontos, atrás daquele que foi campeão mundial, europeu e olímpico pelo Benfica!

Como a inveja ao Benfica provoca tanta ridicularia!

É certo e sabido de há muito – desde o tempo do caso “Nuno Assis” que me fui apercebendo – que um lagarto escondido com o rabo de fora, com a patente de capitão de mar e guerra, se tem prestado a estas coisas tão caricatas em tudo semelhantes ao seu encapotado anti-Benfiquismo.
Mas acreditem ou não, gostei de vê-lo, a dar aquela volta “olímpica”, ilusoriamente triunfal, ao fôsso do lagartêdo. Lembrou-me um daqueles miúdos pelintras do antigamente, de ranho no nariz, perseguindo ruidosamente o urso e o seu tratador que à volta do coreto na praça do município anunciavam perante o espanto de uma multidão curiosa, a chegada do circo à cidade e o respectivo espectáculo que se iria realizar às nove da noite, grátis às damas, ou até, assemelhando-se ao rapazola mais velho de uma pandilha sem eira nem beira que se arrastava atrás do gigante de Moçambique - ao tempo, o homem mais alto do mundo - que para ganhar umas míseras migalhas, uns míseros tostões, propagandeava pela rua Direita a cena nocturna numa tenda suja e escura na Feira de S. Mateus, onde contracenava, num pequeno sketch de cordel, com o homem mais pequeno do mundo (56 cm) pegando-lhe ao colo desde os seus 2 metros e sessenta e cinco de altura. Acreditem, que ao ver aquele triste espectáculo daqueles trastes no fôsso, recordei-me bem dessas cenas deprimentes de antanho.
Sim, porque quanto ao tratador do urso, que neste caso também ia atrás, ele próprio fez questão de se exibir, só faltando a coleira e a trela para ostentar o tão propalado troféu de caça.
A multidão, cega, numa autêntica paranóia colectiva, ululante, rejubilou, para gáudio do tratador e do seu acólito, que pelos cargos que em tempos ocupou, deveria ter tido um comedimento e uma postura adequados. Mas não. Mais parecia o miúdo maltrapilho, todo contente por ter ganho à bilharda, a taça de lata do seu bairro, atrás do macaco ou do urso do seu querido e desejado circo. E tudo aquilo foi mesmo um verdadeiro espectáculo de saltimbancos do fôsso!

Quando se der conta, quando cair em si e entender que foi um joguete para ser usado como um mero objecto de circunstância, quando tiver a noção exacta do acto infame e precipitado que cometeu ao ser manipulado e instrumentalizado para dizer aquilo que disse (e continua a dizer) e para ter as atitudes que teve quando chegou àquele deprimente cenário circense do fôsso, provavelmente aquele que foi um grande campeão, um campeão à Benfica, irá marcar passagem para o lugar onde nasceu – Dakar – voltando de novo às suas origens, porventura aquelas que lhe dizem, ou dirão em termos afectivos alguma coisa. Aí, possivelmente, nem lentilhas haverá, um prato pelo qual se vendeu.
Por ora, caiu do Olimpo e esparralhou-se com estrondo no fôsso das desilusões. Quis ser a partir de agora, aquilo a que o Benfica sempre o poupou – um troféu de caça.
Que o seja, porque por mim, já dei para esse peditório!

Nota: Os desabafos sobre as “misérias olímpicas” do lagartêdo


GRÃO VASCO

2 comentários:

MAFARRICO disse...

Tá tudo aí meu caro.
Cumpts

Anónimo disse...

COPIADO
“”7 pontos Bruno? É esta a equipa campeã prometida?
Ricardo Leão, em 28.10.16
A tua demissão e a do Jesus, juntamente com um pedido de desculpas aos adeptos, é o mínimo que se espera. Já chega! Isto é demasiado mau. Nem ao Natal chegámos.
De GreenJones a 29.10.2016 às 00:08
O presidente da basófia, das empresas falidas e da gestão de mercearia achou que estava tudo resolvido contratando um bom treinador (não mais que isso). Depois bastava fazer um ar grave, dar abracinhos aos atletas, cultivar o auto-elogio. De pouco importa contratar bons jogadores, de pouco importa transmitir serenidade para o grupo de trabalho (em vez das provocações, insultos e teorias da conspiração), de pouco importa ter rigor financeiro em vez de estar a gastar o dinheiro todo (que não temos) para resultados no imediato, de pouco importa termos deixado de investir nos jovens da nossa academia, de pouco importa que não podemos estar a ser geridos em função do que acontece fora do clube, de pouco importa a violação dos verdadeiros princípios do Sporting (o que esperar de um presidente que entrou no clube a ofender o Manuel Fernandes? queremos ser respeitados e estamos sempre a odiar os outros? Precisamos de mais ódio ou de mais trabalho, falando menos? teremos perdido a noção do que é ser do Sporting, o clube do professor Moniz?).

Estou farto, por mim está bom assim. Chamem-me quando for para correr com este pateta da presidência que é muito Sportinguista mas recebe do clube num ano aquilo que muitos Sportinguistas se calhar não têm numa vida inteira. JJ pode ficar se souber respeitar a estrutura e as nossas necessidades práticas (utilizar jovens da academia), se não também pode ir à vidinha dele. Octávio, o Saraiva, etc nunca deviam ter entrado, tenho vergonha de olhar para eles. Esta ideia peregrina de uma direcção feita de arruaceiros e amadores para mim chega. Tristeza mas uma tristeza que já vem de trás, que era e é previsível. SL.

Nota final: no blog Tasca do Cherba todos os que criticaram BC foram sendo acusados de maus Sportinguistas ou de lampiões ou pior. Aquilo é um órgão de propaganda Brunista sem precedentes. Alguns insurgem-se contra os jogadores e o treinador e terminam "o presidente não merecia", mas então não foi o presidente que escolheu esta equipa e este treinador???? Pior, aceitou gastar rios de dinheiro neste projecto absurdo? E depois ainda perguntam como é que chegámos a este estado. Somos um clube enorme mas pelos vistos temos que ser uma ditadura. Os resultados estão bem à vista. Para mim basta comparar como crescemos com o Jardim e como estamos decrépitos neste momento. O clube está melhor agora? Epá tenham juízo, correr com BC deveria ser consensual.””

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