8.10.13

Hino à indecência



Segunda-feira, 7 de Outubro de 2013

Algures na Trypalândia, arrabaldes da Palermo portuguesa.

 

- “Hoje condecoro-te a ti. Amanhã, condecoras-me a mim!”

 

E foi assim, com estas singelas palavras, que o velho ordenança começou a cerimónia mais imunda, alguma vez vista nesse reino corrupto.

 

Uma das maiores vergonhas de um país onde grassa a impunidade, a trapaça, a promiscuidade e a vileza.

Um ordenança despeitado, arrastando-se pelos tortuosos caminhos que ele próprio traçou, num estertor de moribundo, tinha acabado de condecorar o padrinho dos padrinhos com a medalha dourada.

 

Ambos, impunes, dirigiram-se para o palanque dos vilões e valentões. Não sem que antes, uma "birgem gorda e rafeira do bulhôun...eee" equipada e num orgasmo supremo, tenha tirado para a posteridade, uma "chapa" com o homenageado...

Aí, começaram a assistir ao desfile.

Primeiro, “em passo de ganso”, surge a guarda pretoriana dos supermorcões apetrechada a rigor, com o guardabel e os símios à frente. Logo atrás, “As deusas do Araújo”, um grupo de majorettes, expedidas do Brasil, com as suas minifardas côr-de-café com leite, em poses pornográficas abrilhantando o cortejo e gritando pelo Jàcintinho Paixão. A seguir os maltrapilhos dos “Panteras Negras”, uma força paramilitar que tem andado pelas ruas da amargura. E por fim, a ralé das ralés; um numeroso exército de apitos, onde vinha integrada a sua força de elite – os comandos do “Golden Whistle” – chefiada por Pinto Careca.

Tropas perfiladas em frente à tribuna.

Silêncio.

O medalhado, nesse solene momento, não se contendo, alçou o pernil e zás, lá largou mais uma melodiosa bufa pontifícia, pianíssima!

Nem foi preciso mais nada. Estava dado o mote.

A banda filarmónica de Gondomar, expressamente convidada para o efeito, começava a ensaiar os primeiros acordes do “Hino à indecência”…

 

O resto, bem, o resto do filme, podem vê-lo na realização de João Botelho…

 

 


GRÃO VASCO


2 comentários:

Anónimo disse...


KLÁP... KLÁP... KLÁP ...

Não tenho palavras para te agradecer ,
por isso continua q o teu desejo de ver o teu Portugal limpo deste estrume,
esta para breve...

Anónimo disse...

Quando fugimos do que é nosso, passamos a acreditar em ilusão; a vivê-la como se a verdade fosse aquilo que criamos, e não aquilo que é. Então surge uma disfunção orgânica; parece que o coração bate num ritmo que não é o nosso, parece que o ar que respiramos não é feito de oxigênio e sim de um gás outro que limita a nossa inspiração. Surge um peso no ombro. Porque a vida que estamos vivendo não é a nossa. E só é leve a vida que devemos viver; mesmo que seja difícil. A gente só encara com vitalidade a vida que nos pertence. O resto é teatro; é burocracia.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...